#3 Stop, Look, Listen, Feel: Foque nas Ações

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Dando continuidade à nossa série de posts ‘Question Everything’ (Questione Tudo), baseada no trabalho do livro “Thoughtless Acts?” de Jane Fulton Suri, e combinada com nossas próprias observações como etnógrafos e fotógrafos de rua, trazemos a terceira dica:

Ao discutir a importância de se concentrar na ação, Suri argumenta que, assim como o livro descreve, há imagens de pessoas, enquanto outras imagens mostram coisas que as pessoas fazem. Todas estas coisas estão conectadas - os objetos e a forma como eles implicam ou provocam comportamentos e significados emocionais. Se entendermos
as respostas emocionais ou comportamentais, estamos mais bem preparados para alterá-las.

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Outro elemento importante para transformar nossas habilidades em uma disciplina é a documentação de nossas observações. O autor francês Georges Perec (1936-1982) em Species of Spaces and Other Pieces (1974) instruiu seus leitores a verem o que é despercebido na cidade. Ele encorajou a prática de tomar notas ocasionais daquilo que vêem, de preferência usando algum tipo de sistema. Perec escreveu que se você não notar qualquer coisa, é porque você não aprendeu a observar. “Você deve tentar de forma mais lenta,
quase ingênua. 

Obrigue-se a escrever o que não é interessante, o mais banal, comum, incolor.” A vida na cidade pode parecer banal e fugaz, e, portanto, de acordo com Perec, o observador deve olhar e tomar o tempo necessário para realmente ver o cotidiano se desdobrando no espaço público.

Perec fala sobre usar um caderno, mas na realidade o nosso caderno e muitas outras coisas estão concentradas em nosso smartphone. Uma grande vantagem disso é que, com o advento das redes sociais, podemos não só compartilhar e colaborar em tempo real com um grupo geograficamente amplo de observadores, mas também podemos ter um registro digital permanente de nossas observações. Fundamental para usufruir dos benefícios de redes on-line é o uso de hashtags que permitem que nossas informações sejam descobertas e compartilhadas com outros.

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Essa forma mais dinâmica de fazer anotações de campo está redefinindo a própria etnografia. Algumas das oportunidades e desafios de tais métodos são abordados neste grande artigo da etnógrafa Tricia Wang.

(Este post foi retirado do nosso blog Inspiração)